CENTRAL DO CLIENTE
Valorize a vida. Preserve células-tronco.

Congelar as células-tronco do cordão umbilical vale a pena?

O médico e pesquisador da USP, Elíseo Sekiya, esclarece algumas dúvidas

O médico e pesquisador da USP, Elíseo Sekiya, esclarece algumas dúvidas sobre Congelar as células-tronco do cordão umbilical.

Veja comentário do médico hematologista Eliseo Sekiya, pesquisador da Universidade de São Paulo – USP, membro da Sociedade Internacional de Terapia Celular – ISCT e palestrante do último Congresso Pernambucano de Ginecologia e Obstetrícia sobre a importância do armazenamento das células-tronco do sangue de cordão umbilical e os esclarecimentos das dúvidas de diversos casais e médicos a respeito se vale a pena congelar o cordão umbilical.

Quais são as chances de uma criança vir a utilizar as células do próprio cordão?

As chances de uma pessoa vir a utilizar suas próprias células-tronco para tratamento não são nada desprezíveis, conforme mostram estudos estatísticos recentemente publicados nos EUA.

Um estudo publicado na revista “Biology of Blood and Marrow Transplantation” número 14, páginas 316-322, pelo grupo de cientistas americanos liderados pelo Dr. Nietfeld em 2008, calcula que a probabilidade de uma pessoa necessitar de células-tronco para o tratamento ao longo da vida é de cerca de 1:200, ou seja, a cada 200 pessoas, 1 necessitará de células-tronco. Já a probabilidade de ser submetido a um transplante autólogo é de cerca de 1:400, ou seja, a cada 400 pessoas 1 precisará de um transplante com suas próprias células. Nos primeiros 20 anos de vida as chances de um jovem precisar de um transplante autólogo (com suas próprias células) é de aproximadamente 1:5000, ou seja, a cada 5.000 jovens, 1 precisará de transplante autólogo. E nestes casos, sem sombra de dúvidas, é determinante para o sucesso do tratamento que suas células sejam coletadas no momento em que o paciente está livre da doença, ou seja, por ocasião de seu nascimento.

Toda amostra de sangue de cordão coletada é viável para uso?

Conforme a norma que regula a coleta e conservação das células-tronco do sangue de cordão umbilical no país, a RDC 56 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as doações aos bancos públicos devem ter, no mínimo, 500 milhões de células-tronco viáveis e estar livre de contaminações. Já nos bancos privados, a decisão final sobre a manutenção ou não do material criopreservado é da família que detém a posse das células e o direito sobre seu destino. Este direito sobre as células está garantido na mesma norma.

A análise do material congelado pode danificá-lo?

Os serviços de criopreservação devem manter amostras do material congelado que permitem as análises laboratoriais sem necessidade de descongelamento do material, conforme estabelece a RDC 56 da ANVISA. Neste caso, não havendo o descongelamento do material para a realização dos testes, não há danos para o material congelado.

Em que tipos de tratamento o sangue do cordão é utilizado?

Atualmente as células-tronco do sangue de cordão umbilical são utilizadas para o tratamento de mais de 80 doenças conforme estabelecido em Consenso Internacional realizado para avaliar a aplicação atual das células-tronco do sangue de cordão umbilical. Como o transplante de medula óssea é um procedimento realizado há mais de 50 anos com células tronco hematopoiéticas e o sangue de cordão é riquíssimo neste tipo de células, estas foram as primeiras aplicações testadas, comprovadas e liberadas para utilização.

O sangue de cordão umbilical contém apenas células-tronco hematopoiéticas?

Não. Diferentemente do que alguns pesquisadores brasileiros acreditavam, as pesquisas recentes como o estudo publicado em 8 de junho de 2011 na revista Cell Tissue Bank nr 13, intitulado “Isolamento de três tipos importantes de células-tronco a partir das mesmas amostras de sangue de cordão umbilical criopreservado” demonstram que o sangue do cordão umbilical tem uma alta frequuência de células-tronco mesenquimais, células progenitoras endoteliais e células-tronco hematopoiéticas, tornando-se uma fonte alternativa de células-tronco para pacientes submetidos a transplante para uma ampla variedade de indicações.

Em outro trabalho publicado em 23 de março de 2012 na revista “Blood Cells, Molecules, and Diseases” nr 49, intitulado “Cordão umbilical humano é uma fonte única e segura de vários tipos de células-tronco adequadas para o tratamento de doenças hematológicas e em medicina regenerativa” os pesquisadores Elvira Pelosi, Germana Castelli e Ugo Testa do Departamento de Hematologia, Oncologia e Medicina Molecular, do Instituto Superiore di Sanità da Itália concluem que “em comparação com as células-tronco embrionárias, as células-tronco não hemopoiéticas do sangue de cordão umbilical oferecem algumas vantagens, incluindo: a sua grande disponibilidade, a possibilidade de serem utilizadas tanto em um tratamento com as próprias células (autólogo) quanto para outra pessoa (alogênico), a ausência de preocupações éticas sobre a sua utilização e o procedimento relativamente simples para o seu isolamento e expansão in vitro”.

Assim sendo, a decisão de guardar as células-tronco do sangue de cordão umbilical de um bebê faz todo o sentido, uma vez que o sangue de cordão é uma fonte bem estabelecida de células-tronco para inúmeros tratamentos atuais e fonte de outros tipos de células-tronco que podem ser utilizadas para tratamentos que estão em estudo.

Em que estágio estão as pesquisas com células-tronco de cordão?

Em vinte e quatro anos, desde o primeiro transplante de sangue de cordão umbilical bem sucedido realizado no mundo em 1988, as pesquisas avançaram bastante a ponto de estabelecer o sangue de cordão umbilical como importante fonte de células-tronco para transplante de medula óssea. O processo de desenvolvimento de novos tratamentos demanda investimentos em pesquisas desenvolvidas por grande número de pesquisadores, centros de pesquisas e tem avançado enormemente nos últimos anos. Temos esperança que em breve período de tempo, tornem-se tratamentos instituídos. É desejável que as pesquisas venham trazer benefícios aos inúmeros pacientes que necessitam para solucionar seus problemas de saúde.

Desde a descoberta de que as células-tronco podem se transformar em tecidos especializados do corpo humano, divulgada em 1998, inúmeros centros mundiais iniciaram estudos sobre o potencial das células-tronco no tratamento das mais diversas doenças. Vários estudos já estão em fase de teste em seres humanos e devem se transformar em tratamento nos próximos anos.